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Dra. Nathalia Favero

Sonolência durante o dia: quando o cansaço é sinal de algo maior

Sentir sono depois do almoço é normal. O corpo tem ritmos naturais, e uma leve queda de energia no meio da tarde faz parte deles. Mas existe uma diferença entre esse sono passageiro e a sonolência que aparece em reuniões, no trânsito, no meio de uma conversa, ou em qualquer momento em que você precisaria estar alerta.

Esse segundo tipo tem nome: sonolência diurna excessiva. E merece atenção.

Mais do que cansaço

A sonolência diurna excessiva é um dos principais sintomas de distúrbios do sono, especialmente a apneia, uma condição em que a respiração para e recomeça várias vezes durante a noite, fragmentando o sono sem que a pessoa perceba.

O problema é que as consequências vão muito além de se sentir cansado. Estudos mostram que pessoas com sonolência excessiva têm risco significativamente maior de acidentes de trânsito, erros no trabalho e quedas. Há também impacto direto na memória, na capacidade de tomar decisões e no equilíbrio emocional.

A longo prazo, quando a causa não é investigada e tratada, o risco de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares e transtornos de humor também aumenta.

“Mas eu acho que durmo bem”

Essa é uma das frases mais comuns no consultório. E faz sentido: quem tem apneia do sono, por exemplo, pode não acordar com a sensação de ter dormido mal. O sono é interrompido tantas vezes que o organismo não completa as fases necessárias para o descanso real, mas a pessoa não tem consciência disso.

Por isso, sentir sono durante o dia com frequência, mesmo acreditando que dormiu o suficiente, já é um sinal que merece investigação.

Quando procurar ajuda

Vale conversar com um médico especialista em sono se você percebe que:

  • Sente sono em situações que exigem atenção, como dirigir ou trabalhar;
  • Acorda cansado mesmo após horas de sono;
  • Ronca ou já foi informado de que para de respirar durante a noite;
  • Tem dificuldade de concentração ou memória sem causa aparente;
  • Está mais irritado, ansioso ou com o humor alterado.

O diagnóstico é feito por meio de exames específicos, como a polissonografia, e o tratamento, quando indicado, pode transformar significativamente a qualidade de vida.

Dormir bem não é luxo. É uma necessidade biológica. E quando o sono não está cumprindo essa função, o corpo avisa, às vezes de formas que a gente não associa ao sono.

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Dra. Nathália Favero

Psiquiatra | Médica do Sono
| CRM 5827 | RQE 2109 | RQE 2110

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